O Bitcoin é frequentemente apresentado como uma moeda digital descentralizada, criada para funcionar sem depender de bancos centrais, governos ou instituições financeiras tradicionais. No entanto, existe uma questão que desperta cada vez mais curiosidade entre investidores e interessados no mercado das criptomoedas: quem detém realmente os Bitcoins que existem atualmente?
Apesar do Bitcoin ser descentralizado enquanto rede, isso não significa que as moedas estejam distribuídas de forma perfeitamente equilibrada entre todos os participantes. Pelo contrário, uma parte significativa da oferta está concentrada em determinadas categorias de detentores, enquanto outra quantidade considerável poderá nunca mais voltar a circular.
A imagem que serve de base a este artigo apresenta uma estimativa da distribuição da propriedade de Bitcoin por diferentes grupos. De acordo com a infografia (ver imagem abaixo), os indivíduos (pessoas singulares) representam a maior parcela, com cerca de 13,98 milhões de BTC, equivalentes a 66,6% da oferta. Seguem-se as empresas, fundos e ETF, Bitcoins considerados perdidos, Satoshi Nakamoto, governos e, finalmente, as “moedas” que ainda estão por minerar.

Estes números ajudam a perceber uma realidade importante: para compreender o mercado do Bitcoin, não basta olhar apenas para o preço. É igualmente relevante perceber onde estão as moedas, quem as controla e quantas poderão efetivamente estar disponíveis para compra e venda.
Neste artigo, vamos analisar cada uma das categorias apresentadas na imagem e explicar o que estes dados podem significar para o futuro do Bitcoin.
Como está distribuída a oferta de Bitcoin?
A infografia apresenta várias categorias de proprietários ou situações relacionadas com a oferta de Bitcoin:
- Indivíduos: 13,98 milhões de BTC, ou 66,6% da oferta
- Empresas: 1,63 milhões de BTC, ou 7,8%
- Fundos e ETF: 1,44 milhões de BTC, ou 6,9%
- Bitcoin estimado como perdido: 1,62 milhões de BTC, ou 7,7%
- Satoshi Nakamoto: 968 mil BTC, ou 4,6%
- Governos: 435 mil BTC, ou 2,1%
- Bitcoin ainda por minerar: 919 mil BTC, ou 4,4%
É importante salientar que estes valores são estimativas e que a classificação da propriedade de Bitcoin não é uma tarefa simples. Uma blockchain permite observar endereços e movimentos de moedas, mas não revela automaticamente a identidade das pessoas ou organizações por detrás desses endereços.
Além disso, algumas categorias podem sobrepor-se ou ser difíceis de determinar com precisão. Por exemplo, distinguir uma carteira pertencente a um indivíduo de uma carteira pertencente a uma empresa pode ser extremamente complicado apenas através da análise da blockchain.
Ainda assim, a distribuição apresentada permite compreender algumas tendências interessantes.
Os indivíduos (pessoas singulares) são os maiores detentores de Bitcoin
A categoria mais significativa é a dos indivíduos, com uma estimativa de 13,98 milhões de BTC, correspondentes a 66,6% da oferta considerada na infografia.
Este dado demonstra a importância dos pequenos e grandes investidores particulares no ecossistema Bitcoin.
Ao contrário de uma empresa ou de um fundo de investimento, um indivíduo pode comprar Bitcoin através de uma corretora, de uma plataforma especializada ou através de transações diretas. Depois, pode guardar as moedas numa carteira própria durante anos sem voltar a movimentá-las.
É precisamente esta possibilidade de guardar Bitcoin durante longos períodos que torna difícil determinar a quantidade de BTC efetivamente disponível no mercado.
Um investidor pode comprar Bitcoin hoje e decidir não vender durante cinco, dez ou vinte anos. Tecnicamente, essas moedas continuam a existir, mas economicamente podem comportar-se como uma oferta que não está disponível para venda no curto prazo.
Esta distinção é particularmente importante quando se tenta compreender a relação entre oferta e procura.
Se uma quantidade crescente de Bitcoin estiver nas mãos de investidores que pretendem manter as suas moedas a longo prazo, poderá existir menos BTC disponível para responder a um aumento repentino da procura.
As empresas já representam uma parcela relevante
A segunda grande categoria de proprietários corresponde às empresas, com cerca de 1,63 milhões de BTC, ou 7,8%.
A presença empresarial no mercado de Bitcoin tem aumentado à medida que algumas organizações passaram a considerar a criptomoeda como um ativo de tesouraria, uma reserva de valor ou uma componente de uma estratégia financeira mais abrangente.
Existem diferentes razões para uma empresa adquirir Bitcoin.
Algumas podem encará-lo como uma forma de diversificar os seus ativos. Outras podem procurar uma proteção contra determinados riscos associados às moedas tradicionais ou à inflação. Também existem empresas cuja estratégia está diretamente relacionada com o ecossistema das criptomoedas.
A entrada de empresas no mercado pode ter consequências importantes porque uma organização tende a tomar decisões de investimento de forma diferente de um investidor particular.
Uma empresa pode comprar grandes quantidades de Bitcoin de uma só vez ou manter uma política de aquisição regular. Da mesma forma, uma eventual decisão de vender uma quantidade significativa pode ter impacto no mercado.
Por isso, acompanhar a evolução da quantidade de Bitcoin detida por empresas tornou-se cada vez mais relevante para quem analisa o mercado.
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O crescimento dos fundos e dos ETF
Outra categoria em destaque é a dos fundos e ETF, com aproximadamente 1,44 milhões de BTC, equivalentes a 6,9% da oferta apresentada.
Os ETF de Bitcoin contribuíram para aproximar a criptomoeda dos mercados financeiros tradicionais. Em vez de comprar diretamente Bitcoin e preocupar-se com carteiras digitais, chaves privadas e armazenamento, um investidor pode obter exposição ao preço do ativo através de um produto financeiro regulamentado, dependendo do mercado e da jurisdição.
Este desenvolvimento alterou significativamente a forma como determinados investidores podem entrar no mercado.
Fundos de investimento, instituições financeiras e investidores que anteriormente não tinham facilidade ou autorização para deter Bitcoin diretamente passaram a dispor de novas formas de exposição ao ativo.
No entanto, é importante perceber que o crescimento dos ETF não significa necessariamente que milhões de novos investidores estejam a comprar Bitcoin diretamente. Em muitos casos, estão a adquirir unidades de um produto financeiro que, por sua vez, possui exposição ao Bitcoin.
Mesmo assim, quando esses veículos precisam de comprar Bitcoin para acompanhar os seus ativos, podem influenciar a procura pelo ativo subjacente.
O que significa dizer que existem Bitcoins perdidos?
Uma das categorias mais interessantes é a dos Bitcoins estimados como perdidos, calculados em cerca de 1,62 milhões de BTC, ou 7,7% da oferta.
Mas o que significa exatamente um Bitcoin estar perdido?
Na realidade, não existe uma etiqueta na blockchain a indicar que determinada moeda está perdida. A classificação é feita com base em determinados indícios.
Um dos exemplos mais conhecidos é o de moedas que permanecem em endereços durante muitos anos sem qualquer movimento. Também podem existir Bitcoins cujos proprietários perderam as chaves privadas necessárias para os movimentar.
Se uma pessoa perder a chave privada da sua carteira, os Bitcoins continuam registados na blockchain. No entanto, deixam de poder ser utilizados pelo proprietário.
É uma característica fundamental do sistema.
No sistema Bitcoin, não existe uma entidade central que possa simplesmente redefinir uma palavra-passe e devolver o acesso às moedas. Se as credenciais necessárias para controlar determinados BTC forem perdidas de forma definitiva, essas moedas poderão permanecer inacessíveis para sempre.
Isto significa que a quantidade de Bitcoin efetivamente utilizável pode ser inferior à quantidade total existente.
Satoshi Nakamoto e os Bitcoins associados ao criador do Bitcoin
Satoshi Nakamoto (criador do Bitcoin) detém aproximadamente 968 mil BTC, correspondentes a 4,6% da oferta.
Satoshi Nakamoto é o pseudónimo utilizado pelo criador, ou grupo de criadores, do Bitcoin. A verdadeira identidade de Satoshi continua a ser desconhecida.
Os Bitcoins associados aos primeiros tempos da rede são particularmente importantes porque representam uma quantidade significativa de moedas que, segundo análises amplamente divulgadas, permanecem sem movimentação.
Se esses Bitcoins continuarem inativos, funcionam na prática como uma parcela da oferta que não participa no mercado.
Por outro lado, uma eventual movimentação de uma quantidade muito elevada de moedas associadas a Satoshi poderia gerar enorme atenção entre investidores.
É importante, contudo, não assumir automaticamente que todos esses Bitcoins pertencem à mesma pessoa. A atribuição de endereços ao criador do Bitcoin baseia-se em análises da atividade inicial da rede e continua a envolver algum grau de incerteza.
Os governos também possuem Bitcoin
Os governos detêm cerca de 435 mil BTC, correspondentes a 2,1% da oferta.
Este é um dado particularmente interessante porque demonstra que o Bitcoin não está apenas nas mãos de particulares, empresas e investidores financeiros.
Governos podem passar a deter Bitcoin por diferentes razões. Uma delas está relacionada com apreensões realizadas no âmbito de investigações criminais ou processos judiciais. Dependendo da legislação aplicável, esses ativos podem posteriormente ser vendidos através de leilões ou outros mecanismos.
Também existem governos que podem manter Bitcoin por outras razões estratégicas.
A existência de Bitcoin sob controlo estatal levanta questões interessantes. Por um lado, o facto de governos deterem BTC demonstra que a criptomoeda passou a ter uma relevância suficiente para fazer parte de determinados patrimónios ou processos legais. Por outro, uma venda significativa por parte de uma entidade estatal pode aumentar temporariamente a pressão vendedora no mercado.
Ainda existem Bitcoins por minerar
Outra fatia corresponde aos Bitcoins que ainda estão por minerar, estimados em 919 mil BTC, ou 4,4%.
O Bitcoin possui um limite máximo de emissão de aproximadamente 21 milhões de moedas.
As novas unidades entram em circulação através do processo de mineração. Os participantes da rede que contribuem para a segurança da blockchain através da mineração recebem recompensas de acordo com as regras do protocolo.
Contudo, essa emissão não acontece a um ritmo constante para sempre.
A cada determinado número de blocos ocorre o chamado halving, evento que reduz para metade a recompensa atribuída aos mineradores por bloco.
Como consequência, a emissão de novos Bitcoins vai diminuindo progressivamente.
Este mecanismo foi concebido para tornar a oferta cada vez mais escassa ao longo do tempo, contribuindo para a natureza limitada do Bitcoin.
A escassez é uma das características fundamentais do Bitcoin
Ao observar como os Bitcoins estão distribuídos, torna-se evidente que a questão da oferta é extremamente importante.
O Bitcoin não funciona como uma moeda tradicional cuja quantidade em circulação pode ser aumentada através de decisões de política monetária. A emissão está definida pelas regras do protocolo.
Dos cerca de 21 milhões de BTC que existirão no máximo, uma parte já foi minerada, outra encontra-se em carteiras de diferentes tipos de proprietários e uma quantidade adicional poderá estar permanentemente inacessível.
Isto leva a uma conclusão importante: o número de Bitcoins que existem não é necessariamente igual ao número de Bitcoins disponíveis para compra no mercado.
Imagine-se, por exemplo, que uma determinada quantidade significativa de investidores decide manter as suas moedas durante muitos anos. Simultaneamente, outros Bitcoins estão perdidos e uma parte encontra-se em carteiras de empresas ou fundos com estratégias de longo prazo.
Nesse cenário, a oferta disponível para negociação pode ser bastante mais limitada do que a oferta total.
O que esta distribuição pode significar para o preço?
A distribuição da propriedade não permite prever diretamente o preço futuro do Bitcoin. No entanto, pode ajudar a compreender uma das forças fundamentais que influenciam o mercado: a relação entre oferta e procura.
Se a procura aumentar enquanto a quantidade de Bitcoin disponível para venda permanecer limitada, os compradores poderão ter de aceitar preços progressivamente mais elevados para conseguir adquirir as moedas pretendidas.
Por outro lado, se grandes detentores decidirem vender quantidades significativas de BTC, poderá ocorrer um aumento da oferta disponível no mercado, colocando pressão sobre o preço.
É por isso que os chamados grandes detentores, empresas, fundos e outras entidades com grandes posições são acompanhados com tanta atenção.
Ainda assim, não devemos concluir que uma grande concentração de Bitcoin significa obrigatoriamente que o preço irá subir ou descer.
O mercado é influenciado por inúmeros fatores, incluindo condições económicas, taxas de juro, regulamentação, sentimento dos investidores, liquidez, adoção, procura institucional e acontecimentos específicos relacionados com o setor das criptomoedas.
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Ter Bitcoin não significa necessariamente controlar o Bitcoin
Existe também uma distinção importante entre propriedade económica e controlo direto das moedas.
Quando uma pessoa compra Bitcoin e o guarda numa carteira própria, possui as chaves privadas que permitem movimentar os BTC.
Quando compra exposição através de determinados produtos financeiros, a situação pode ser diferente.
Por isso, números relativos à propriedade devem ser analisados com algum cuidado.
Além disso, uma única entidade pode controlar múltiplos endereços e uma carteira pode representar fundos pertencentes a várias pessoas. Por essa razão, a análise da blockchain não permite simplesmente olhar para uma lista de endereços e determinar com absoluta precisão quem possui cada Bitcoin.
Esta é uma das limitações das estimativas apresentadas na infografia.
Porque é importante conhecer a distribuição do Bitcoin?
Para quem acompanha o mercado, compreender a distribuição da oferta pode ser tão importante como acompanhar o preço.
Se apenas olharmos para a cotação do Bitcoin, podemos perder uma parte importante da história.
A análise da propriedade permite fazer perguntas como:
Quem está a acumular Bitcoin?
Os investidores particulares estão a comprar ou a vender?
As empresas estão a aumentar as suas posições?
Os fundos e ETF estão a captar procura?
Os governos estão a vender ou a manter as moedas apreendidas?
Existem grandes quantidades de Bitcoin que permanecem inativas?
Estas questões podem ajudar a compreender melhor a dinâmica do mercado.
Naturalmente, nenhum destes indicadores deve ser utilizado isoladamente para tomar decisões de investimento.
Uma oferta cada vez mais limitada
Uma das ideias mais importantes que podemos retirar da imagem é que o Bitcoin apresenta uma combinação pouco comum: uma oferta máxima limitada, uma parcela de moedas potencialmente perdida e uma parte significativa controlada por investidores que podem ter estratégias de longo prazo.
Ao mesmo tempo, a adoção do Bitcoin continua a ser um dos principais fatores que podem determinar a procura futura.
Se cada vez mais pessoas, empresas e instituições quiserem possuir Bitcoin, mas a quantidade disponível para venda for relativamente pequena, a dinâmica entre compradores e vendedores pode tornar-se particularmente relevante.
É precisamente esta característica que leva muitos defensores do Bitcoin a compará-lo, em determinados aspetos, com um ativo escasso.
No entanto, Bitcoin continua a ser um ativo altamente volátil e o facto de existir escassez não garante valorização.
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Conclusão
A distribuição apresentada na imagem oferece uma perspetiva interessante sobre quem detém os Bitcoins existentes e onde poderá estar concentrada a oferta da maior criptomoeda do mundo.
Os indivíduos aparecem claramente como o maior grupo, com cerca de 13,98 milhões de BTC. As empresas representam aproximadamente 1,63 milhões, enquanto fundos e ETF detêm cerca de 1,44 milhões. A estimativa inclui ainda aproximadamente 1,62 milhões de Bitcoins considerados perdidos, 968 mil associados a Satoshi Nakamoto, 435 mil em mãos governamentais e 919 mil que ainda não foram minerados.
Mais do que decorar estes números, o importante é compreender a mensagem que está por detrás deles.
Nem todos os Bitcoins existentes estão efetivamente disponíveis no mercado. Alguns podem estar guardados por investidores de longo prazo, outros podem pertencer a empresas ou fundos, e outros poderão estar permanentemente inacessíveis.
Esta realidade torna a análise da oferta de Bitcoin particularmente interessante. À medida que a emissão de novas moedas diminui e o limite máximo de aproximadamente 21 milhões de BTC se aproxima, a forma como os atuais detentores decidem utilizar, guardar ou vender as suas moedas poderá ter um papel importante na evolução futura do mercado.
Ainda assim, é fundamental encarar estas estimativas com cautela. Identificar o proprietário de um endereço Bitcoin nem sempre é possível e algumas categorias apresentadas são baseadas em análises e estimativas, e não em registos oficiais de propriedade.
Para quem acompanha o Bitcoin, contudo, existe uma conclusão que merece ser destacada: mais importante do que saber quantos Bitcoins existem é perceber quantos estão realmente disponíveis para comprar e quem está disposto a vendê-los.
É nessa relação entre oferta limitada, procura crescente e comportamento dos detentores que pode estar uma das chaves para compreender a evolução do mercado de Bitcoin nos próximos anos.
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