O Bitcoin continua a ganhar espaço no debate sobre o futuro do dinheiro, dos investimentos e do sistema financeiro internacional. Apesar de ter sido criado como uma alternativa descentralizada às moedas tradicionais, a sua dimensão atual permite já compará-lo, pelo menos em determinados indicadores, com alguns dos maiores ativos monetários do mundo.

Uma imagem publicada pela página Bitcoin Conference apresenta uma comparação particularmente interessante: segundo os valores nela apresentados, o Bitcoin teria uma dimensão de aproximadamente 1,6 biliões de dólares, equivalente a cerca de 1% do chamado dinheiro global. No mesmo gráfico surgem o yuan chinês, o dólar norte-americano, o euro, o ouro, o iene japonês, a libra britânica e outras moedas fiduciárias.

Bitcoin e o futuro do dinheiro

A comparação chama a atenção sobretudo pela diferença entre o Bitcoin e os ativos que dominam o sistema financeiro mundial. O yuan aparece com cerca de 52,8 biliões de dólares, o dólar norte-americano com 23,2 biliões e o euro com 18,9 biliões. O ouro, por sua vez, é apresentado com aproximadamente 31,1 biliões de dólares.

Mas será que isto significa realmente que o Bitcoin já representa 1% de todo o dinheiro existente no mundo? E o que podemos retirar desta comparação?

O que mostra este gráfico sobre o Bitcoin

A imagem apresenta um gráfico circular tridimensional com diferentes formas de dinheiro e reserva de valor. A fatia correspondente ao Bitcoin é bastante pequena quando comparada com algumas das maiores moedas mundiais, mas existe uma característica que torna o dado interessante: uma tecnologia financeira criada há relativamente pouco tempo já surge numa comparação com moedas nacionais e com o ouro.

De acordo com os números apresentados na imagem:

  • Bitcoin: 1,6 biliões de dólares, aproximadamente 1%;
  • Yuan chinês: 52,8 biliões de dólares, cerca de 33,6%;
  • Ouro: 31,1 biliões de dólares, aproximadamente 19,8%;
  • Dólar norte-americano: 23,2 biliões de dólares, cerca de 14,8%;
  • Euro: 18,9 biliões de dólares, aproximadamente 12%;
  • Outras moedas fiduciárias: 15,1 biliões de dólares, cerca de 9,6%;
  • Iene japonês: 10 biliões de dólares, cerca de 6,4%;
  • Libra britânica: 4,3 biliões de dólares, aproximadamente 2,7%.

Estes valores ajudam a perceber a enorme dimensão do sistema monetário tradicional. Mesmo depois de uma forte valorização, o Bitcoin continua a representar uma parcela relativamente pequena quando comparado com as principais moedas e com o ouro.

Ainda assim, o simples facto de aparecer neste tipo de comparação demonstra a importância que a criptomoeda adquiriu.

Bitcoin versus moedas tradicionais

A maior diferença entre o Bitcoin e moedas como o dólar, o euro ou o yuan está na sua natureza.

O dólar norte-americano é emitido e regulado dentro de um sistema monetário centralizado, com a Reserva Federal e o sistema bancário a desempenharem papéis fundamentais. O mesmo acontece, embora através de estruturas diferentes, com o euro e o yuan.

O Bitcoin funciona de maneira diferente. A sua rede é descentralizada e as transações são registadas numa blockchain. Não existe um banco central responsável pela emissão da moeda e o número máximo de bitcoins que pode existir está limitado pelo próprio protocolo.

Esta característica é uma das razões pelas quais muitos investidores consideram o Bitcoin uma possível reserva de valor.

Ao contrário das moedas fiduciárias, cuja oferta monetária pode aumentar através das decisões das autoridades monetárias e do sistema bancário, a emissão de Bitcoin é finita e segue regras previamente definidas.

Isso não significa, contudo, que o Bitcoin seja automaticamente superior às moedas tradicionais. Cada sistema possui características, vantagens e riscos diferentes.

O papel do dólar na economia mundial

O dólar continua a ocupar uma posição central na economia internacional.

É utilizado no comércio global, nos mercados financeiros, nas reservas de muitos bancos centrais e numa enorme quantidade de contratos internacionais. Por esse motivo, a dimensão do dólar não pode ser analisada apenas através das notas e moedas físicas existentes.

Grande parte do dinheiro moderno existe sob a forma de depósitos bancários e outros instrumentos financeiros.

É precisamente aqui que comparações como a apresentada na imagem devem ser interpretadas com algum cuidado. O conceito de “dinheiro global” pode assumir diferentes definições dependendo dos ativos incluídos no cálculo.

E o ouro? Porque aparece na comparação?

A presença do ouro no gráfico é particularmente interessante.

Durante milhares de anos, o ouro desempenhou funções relacionadas com reserva de valor, comércio e riqueza. Atualmente, embora já não seja utilizado como moeda corrente na generalidade dos países, continua a ser considerado por muitos investidores como um ativo de proteção.

O ouro e o Bitcoin são frequentemente comparados porque ambos são vistos por alguns investidores como alternativas aos ativos monetários tradicionais.

Existem, contudo, diferenças importantes.

O ouro é um ativo físico, com utilização industrial e uma longa história como reserva de valor. O Bitcoin é um ativo digital que depende de uma infraestrutura tecnológica e de uma rede informática global.

O ouro não depende de eletricidade ou de acesso à Internet para existir fisicamente. O Bitcoin, por outro lado, permite transferir valor digitalmente através de uma rede global sem depender diretamente de uma instituição financeira tradicional.

São características muito diferentes, embora ambos possam ser incluídos em determinadas estratégias de diversificação.

O que significa o Bitcoin representar 1% do dinheiro mundial?

1% pode parecer muito pouco, mas torna-se significativo quando analisamos a velocidade com que o Bitcoin surgiu.

A primeira criptomoeda foi lançada em 2009. Na altura, praticamente ninguém poderia prever que, pouco mais de uma década depois, o Bitcoin seria comparado com algumas das principais moedas do planeta e com o ouro.

O crescimento da capitalização do Bitcoin foi acompanhado por um aumento da adoção por investidores particulares, empresas e instituições.

Além disso, o desenvolvimento do mercado de criptomoedas criou uma nova classe de ativos que anteriormente praticamente não existia.

Se o Bitcoin conseguir aumentar a sua utilização e continuar a conquistar espaço como reserva de valor, pagamentos ou ativo financeiro, a sua participação relativa poderá crescer. Por outro lado, nada garante que isso aconteça.

O preço do Bitcoin continua sujeito a grandes oscilações e o seu valor de mercado pode aumentar ou diminuir significativamente.

Bitcoin pode ultrapassar o ouro?

Esta é uma das questões mais discutidas entre os defensores da criptomoeda.

Se a capitalização do Bitcoin conseguisse aproximar-se da dimensão estimada do ouro, a criptomoeda passaria a representar uma parcela muito maior do património utilizado como reserva de valor.

Os defensores do Bitcoin argumentam que a sua natureza digital, facilidade de transferência internacional, escassez programada e possibilidade de auto custódia podem torná-lo particularmente interessante num mundo cada vez mais digital.

Por outro lado, os críticos lembram que o Bitcoin apresenta uma volatilidade muito superior à do ouro em muitos períodos e que a sua história é ainda relativamente curta.

Também existem riscos tecnológicos, regulatórios e relacionados com a segurança das carteiras e das plataformas de negociação.

Assim, a possibilidade de o Bitcoin ultrapassar o ouro em valor de mercado é uma hipótese de mercado, não uma certeza.

A escassez do Bitcoin é uma das suas principais características

Uma das razões pelas quais o Bitcoin desperta tanto interesse é a sua oferta limitada.

O protocolo estabelece um limite máximo de 21 milhões de bitcoins. A emissão de novas unidades ocorre através do processo de mineração e vai diminuindo ao longo do tempo através dos chamados halvings.

Esta característica é frequentemente comparada com a escassez do ouro.

No entanto, existe uma diferença importante: a escassez do Bitcoin é determinada matematicamente pelo protocolo, enquanto a quantidade total de ouro existente no planeta depende da quantidade que foi extraída e daquela que ainda poderá ser descoberta e explorada.

Para os defensores da criptomoeda, esta previsibilidade é uma das suas maiores vantagens.

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Mas o Bitcoin também apresenta riscos

Uma análise sobre o crescimento do Bitcoin não estaria completa sem abordar os seus riscos.

O primeiro é a volatilidade. O preço da criptomoeda pode sofrer movimentos muito acentuados em períodos relativamente curtos. Uma valorização significativa pode ser seguida por uma queda igualmente expressiva.

Existe também o risco de perda ou roubo das credenciais utilizadas para controlar os bitcoins. Ao contrário de uma conta bancária tradicional, a recuperação de ativos digitais pode ser extremamente difícil quando as chaves privadas são perdidas.

Outro fator importante é a regulamentação. Os governos e organismos reguladores continuam a definir regras para as criptomoedas, podendo estas ter impacto na sua utilização e no funcionamento do mercado.

Por isso, comparar a capitalização do Bitcoin com a do dólar ou do ouro não significa que estes ativos tenham o mesmo nível de risco.

Uma nova forma de pensar o dinheiro

Talvez a principal mensagem desta comparação não seja simplesmente saber se o Bitcoin representa 1%, 2% ou uma percentagem diferente do dinheiro mundial.

O mais interessante é observar como a tecnologia alterou a própria definição de dinheiro e de transferência de valor.

Durante séculos, o dinheiro esteve associado a moedas físicas, bancos e instituições governamentais. A Internet abriu caminho para pagamentos digitais e o Bitcoin levou a ideia ainda mais longe, criando uma rede na qual é possível transferir um ativo digital sem depender diretamente de uma autoridade central.

Independentemente de se acreditar ou não no futuro das criptomoedas, esta inovação teve um impacto significativo no debate sobre o sistema financeiro.

Conclusão

A imagem publicada pela Bitcoin Conference apresenta uma comparação que ajuda a colocar o Bitcoin em perspetiva. Segundo os valores nela utilizados, a criptomoeda teria cerca de 1,6 biliões de dólares, correspondendo a aproximadamente 1% da dimensão monetária mundial.

Embora esta percentagem possa parecer reduzida perante os 33,6% atribuídos ao yuan, os 14,8% do dólar, os 12% do euro ou os 19,8% do ouro, é importante recordar a “juventude” do Bitcoin. A existência de uma moeda digital descentralizada com dimensão suficiente para ser colocada lado a lado com estes ativos constitui, por si só, um fenómeno económico relevante.

No entanto, o gráfico deve ser interpretado com cautela. Comparar capitalizações de mercado de Bitcoin e ouro com agregados monetários de moedas nacionais envolve conceitos diferentes e depende da metodologia utilizada. Por isso, o valor de 1% não deve ser encarado como uma medida absoluta e universal de todo o dinheiro existente no mundo.

Ainda assim, a comparação deixa uma questão interessante no ar: se o Bitcoin continuar a crescer e a ser adotado como reserva de valor, que dimensão poderá atingir no sistema financeiro mundial daqui a 10 ou 20 anos?

É precisamente essa possibilidade que continua a alimentar o debate entre investidores, economistas e defensores das criptomoedas.

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