Viver com os pais enquanto se trabalha pode ser uma das melhores oportunidades para melhorar a vida financeira. Apesar de muitas pessoas encararem esta fase como algo temporário ou simplesmente como uma consequência das dificuldades em encontrar casa, a verdade é que continuar a viver em casa dos pais pode permitir reduzir significativamente as despesas mensais e, sobretudo, criar uma base financeira sólida para o futuro.

Quando não existe uma renda elevada para pagar todos os meses, torna-se mais fácil colocar dinheiro de lado. No entanto, isso não significa automaticamente que seja possível poupar. Muitas pessoas que vivem com os pais acabam por aumentar os seus gastos precisamente porque têm menos despesas fixas. Restaurantes, viagens, compras, subscrições, tecnologia, roupa, entretenimento e saídas podem consumir rapidamente o dinheiro que poderia estar a ser utilizado para construir uma poupança.

Por isso, uma das perguntas mais importantes nesta situação é: quanto poupar enquanto se vive com os pais?

Não existe uma resposta única. O valor ideal depende do salário, das despesas pessoais, da contribuição para as despesas da casa e dos objetivos financeiros de cada pessoa. Ainda assim, existem algumas referências que podem ajudar a definir uma meta realista.

Neste artigo, vamos explicar quanto pode fazer sentido poupar enquanto vive com os pais, como organizar o orçamento mensal, que percentagem do rendimento deve ser colocada de lado, quais os objetivos que deve estabelecer e como aproveitar esta fase para conquistar maior independência financeira.

Porque é importante aproveitar esta fase para poupar?

Viver com os pais pode representar uma vantagem financeira considerável, especialmente quando a pessoa tem um rendimento profissional estável.

Imagine alguém que recebe 1.200 euros líquidos por mês e que, vivendo sozinho, teria de suportar 600 ou 700 euros entre renda, condomínio, alimentação, eletricidade, água, internet e outras despesas relacionadas com a habitação.

Se continuar a viver com os pais e contribuir, por exemplo, com 200 euros para as despesas domésticas, poderá ficar com uma margem financeira muito superior.

O problema é que essa margem pode ser utilizada de duas formas.

A primeira consiste em aumentar o nível de consumo. A pessoa começa a sair mais vezes, compra produtos que anteriormente não comprava, faz mais viagens ou adquire um carro mais caro.

A segunda consiste em aproveitar a oportunidade para construir património financeiro.

É esta segunda opção que pode fazer uma enorme diferença no futuro.

Ter alguns milhares de euros poupados pode facilitar a mudança para uma casa própria, permitir enfrentar uma emergência, financiar uma formação profissional, comprar um automóvel sem recorrer a crédito excessivo ou simplesmente proporcionar maior tranquilidade.

Por isso, viver com os pais não deve ser encarado apenas como uma forma de gastar menos. Deve ser visto como uma oportunidade para acelerar a construção de uma vida financeira independente.

Quanto dinheiro deve poupar enquanto vive com os pais?

Uma boa regra geral é tentar poupar entre 30% e 50% do rendimento líquido mensal, sempre que as circunstâncias pessoais permitam.

Para algumas pessoas, poderá ser possível poupar ainda mais.

Se alguém recebe 1.000 euros líquidos e consegue viver confortavelmente com 500 euros, poderia colocar aproximadamente 500 euros de lado todos os meses.

Se recebe 1.500 euros e tem despesas mensais de 700 euros, poderia tentar poupar 800 euros.

Naturalmente, estes números são apenas exemplos. Não faz sentido estabelecer uma percentagem impossível de cumprir.

Uma pessoa que recebe 900 euros e contribui significativamente para as despesas familiares poderá não conseguir poupar 50%. Nesse caso, uma taxa de poupança de 20% ou 30% já poderá ser bastante positiva.

Mais importante do que encontrar uma percentagem perfeita é estabelecer uma taxa de poupança consistente.

Uma referência simples

Pode utilizar a seguinte escala como ponto de partida:

10% do rendimento: mínimo razoável para começar a criar o hábito de poupar.

20%: bom nível de poupança.

30%: excelente objetivo para quem tem poucas despesas.

40%: muito bom para quem pretende alcançar rapidamente determinados objetivos.

50% ou mais: possível para algumas pessoas que vivem com os pais e têm despesas reduzidas.

Se conseguir poupar 40% do salário durante vários anos, o impacto acumulado pode ser bastante significativo.

O objetivo não deve ser simplesmente “poupar o máximo possível”

Existe, contudo, um erro que deve ser evitado.

Viver com os pais não significa que tenha de colocar todo o seu salário numa conta bancária e deixar de aproveitar a vida.

Uma estratégia financeira demasiado restritiva pode ser difícil de manter a longo prazo.

O objetivo deve ser encontrar um equilíbrio entre poupar, viver e preparar o futuro.

Por exemplo, se recebe 1.300 euros e decide poupar 600 euros todos os meses, ainda terá 700 euros para todas as restantes despesas.

Se conseguir cumprir este plano sem sentir que está constantemente privado de tudo, estará a construir uma excelente situação financeira.

Por outro lado, estabelecer uma meta de poupança de 1.000 euros quando isso significa passar todos os meses sem dinheiro para qualquer atividade de lazer pode acabar por levar ao abandono do plano.

A consistência é mais importante do que a perfeição.

Primeiro objetivo: criar um fundo de emergência

Antes de pensar em comprar uma casa, investir ou fazer grandes compras, uma das prioridades deve ser criar um fundo de emergência.

Este fundo serve para enfrentar situações inesperadas, como perder o emprego, ter uma despesa médica, precisar de reparar o automóvel ou enfrentar qualquer outra situação que implique uma saída significativa de dinheiro.

Uma referência frequentemente utilizada consiste em ter entre três e seis meses de despesas essenciais.

Se as suas despesas mensais essenciais forem 600 euros, por exemplo, um fundo de emergência entre 1.800 e 3.600 euros poderá constituir um primeiro objetivo.

No entanto, enquanto vive com os pais, pode fazer sentido construir uma almofada financeira ainda maior, especialmente se estiver a preparar a saída de casa.

Por exemplo, alguém que pretende sair de casa dentro de dois anos pode estabelecer como objetivo acumular 10.000, 15.000 ou 20.000 euros, dependendo dos seus rendimentos e das despesas previstas.

Quanto deve ter poupado antes de sair de casa?

Esta é uma das perguntas mais importantes para quem vive com os pais.

Não existe um valor universal, porque sair de casa pode envolver despesas muito diferentes.

É necessário considerar:

  • Caução da habitação
  • Primeira renda
  • Eventuais rendas antecipadas
  • Mobília
  • Eletrodomésticos
  • Despesas de transporte
  • Alimentação
  • Água, eletricidade e gás
  • Internet
  • Seguros
  • Despesas com o carro
  • Despesas inesperadas

Por isso, ter dinheiro suficiente apenas para pagar a caução e a primeira renda pode não ser suficiente.

Idealmente, antes de sair de casa, deverá ter dinheiro para cobrir os custos iniciais e ainda manter uma reserva financeira para emergências.

Se pretende alugar uma casa, faça primeiro uma simulação realista de quanto irá gastar todos os meses.

Imagine que conclui que precisará de 1.000 euros mensais para viver sozinho. Não basta perguntar se consegue pagar os 1.000 euros.

É necessário verificar se, depois dessas despesas, ainda consegue poupar.

Crie uma “renda fictícia”

Uma estratégia extremamente útil para quem vive com os pais consiste em criar uma espécie de renda fictícia.

Imagine que pretende sair de casa e calcula que terá de pagar 600 euros de renda todos os meses.

Enquanto continua a viver com os pais, coloque 600 euros numa conta de poupança todos os meses.

Desta forma, estará simultaneamente a juntar dinheiro e a testar se consegue suportar aquela despesa.

Se conseguir fazê-lo durante 12 meses, terá acumulado 7.200 euros.

Mais importante ainda, terá percebido se o orçamento que preparou para viver sozinho é realmente sustentável.

Esta estratégia também evita um problema comum: sair de casa e descobrir posteriormente que o custo de vida é muito superior ao esperado.

Defina um objetivo financeiro concreto

Poupar sem objetivo pode tornar-se bastante difícil.

É mais fácil manter a motivação quando existe uma finalidade concreta para o dinheiro.

Em vez de dizer:

“Quero poupar dinheiro.”

Experimente estabelecer um objetivo como:

“Quero juntar 12.000 euros até à data X”

Ou:

“Quero ter 10.000 euros para poder sair de casa.”

Ou ainda:

“Quero juntar 15.000 euros para dar entrada num automóvel sem recorrer a um crédito elevado.”

Um objetivo específico permite determinar quanto precisa de poupar todos os meses.

Se quiser juntar 12.000 euros em dois anos, por exemplo, precisará de poupar, em média, 500 euros por mês.

A partir desse momento, a poupança deixa de ser uma ideia vaga e passa a fazer parte do orçamento.

Tenha uma conta separada para a poupança

Um dos métodos mais simples para evitar gastar o dinheiro destinado à poupança é mantê-lo separado do dinheiro utilizado diariamente.

Pode ter uma conta para as despesas correntes e outra destinada aos objetivos financeiros.

No dia em que recebe o salário, transfira automaticamente o valor definido para a poupança.

Por exemplo:

Salário líquido: 1.300 euros

Poupança automática: 500 euros

Dinheiro disponível: 800 euros

Desta forma, não terá de esperar pelo final do mês para descobrir quanto dinheiro sobrou.

A lógica deve ser precisamente a inversa: primeiro poupar, depois gastar.

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Não se esqueça de contribuir para a casa

Viver com os pais não significa necessariamente viver gratuitamente.

Dependendo da situação familiar, poderá ser importante contribuir para despesas como alimentação, eletricidade, água, internet ou outras despesas domésticas.

Mesmo que os seus pais não exijam qualquer contribuição, conversar sobre dinheiro e responsabilidades familiares pode ser importante.

Além disso, contribuir para as despesas da casa pode ajudá-lo a desenvolver hábitos financeiros mais próximos daqueles que terá quando viver sozinho.

A independência financeira não consiste apenas em ter dinheiro. Também envolve compreender quanto custa manter uma casa.

Evite aumentar o estilo de vida demasiado depressa

Um dos maiores obstáculos à poupança enquanto se vive com os pais é o chamado aumento do estilo de vida.

Quando o salário aumenta, algumas pessoas aumentam imediatamente os gastos.

Se antes ganhava 1.000 euros e passou a ganhar 1.300 euros, pode sentir que tem mais 300 euros disponíveis.

Mas talvez seja melhor aproveitar parte desse aumento para aumentar a taxa de poupança.

Por exemplo, dos 300 euros adicionais, poderia guardar 200 e utilizar os restantes 100 para melhorar o seu estilo de vida.

Desta forma, consegue usufruir do aumento salarial sem comprometer os seus objetivos financeiros.

Tenha atenção às pequenas despesas

As despesas pequenas podem parecer insignificantes individualmente, mas tornam-se relevantes quando são repetidas durante meses.

Um café diário, refeições fora de casa, serviços de streaming, compras online, entregas de comida, jogos, aplicações e outras despesas recorrentes podem representar centenas de euros por ano.

Não significa que tenha de eliminar tudo.

O mais importante é saber para onde está a ir o dinheiro.

Durante um mês, registe todas as despesas.

No final, analise os resultados.

Poderá descobrir que está a gastar 150 ou 200 euros em pequenas compras que nem sequer considera importantes.

Esse dinheiro poderia estar a ser utilizado para acelerar o seu objetivo de poupança.

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Quanto pode juntar em três anos?

Vamos imaginar uma pessoa que consegue poupar 500 euros por mês enquanto vive com os pais.

Em um ano:

500 € × 12 = 6.000 €

Em dois anos:

500 € × 24 = 12.000 €

Em três anos:

500 € × 36 = 18.000 €

Ou seja, sem considerar qualquer rendimento proveniente de investimentos ou juros, a pessoa poderia acumular 18.000 euros em três anos.

Se conseguir poupar 700 euros por mês, o resultado seria ainda mais expressivo:

700 € × 36 = 25.200 €

Isto demonstra por que razão esta fase da vida pode ser financeiramente tão importante.

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E se conseguir poupar 1.000 euros por mês?

Para algumas pessoas com rendimentos elevados e despesas muito reduzidas, pode ser possível poupar 1.000 euros ou mais por mês.

Nesse caso:

1 ano = 12.000 €

2 anos = 24.000 €

3 anos = 36.000 €

4 anos = 48.000 €

5 anos = 60.000 €

Naturalmente, nem toda a gente tem condições para atingir estes valores.

O importante é perceber o princípio: quanto menor for o custo de vida e maior for a capacidade de poupança, mais rapidamente poderá construir uma base financeira sólida.

Não adie indefinidamente a saída de casa apenas para poupar

Existe também o outro lado da questão.

Poupar dinheiro é importante, mas não deve transformar-se numa desculpa para adiar indefinidamente a independência pessoal.

Viver com os pais pode ser uma excelente estratégia financeira quando existe um objetivo.

No entanto, se uma pessoa tem capacidade financeira para sair de casa, deseja fazê-lo e permanece em casa exclusivamente para acumular cada vez mais dinheiro, poderá estar a sacrificar outros aspetos importantes da sua vida.

A decisão deve considerar também fatores como privacidade, autonomia, relacionamento familiar, localização do trabalho, qualidade de vida e objetivos pessoais.

O dinheiro é importante, mas não é o único fator que determina uma vida equilibrada.

Use esta fase para aprender sobre finanças pessoais

Enquanto vive com os pais, não deve apenas acumular dinheiro.

Deve também aproveitar para aprender a geri-lo.

Pode começar por aprender conceitos como:

  • Orçamento familiar
  • Taxa de poupança
  • Fundo de emergência
  • Juros compostos
  • Inflação
  • Investimentos
  • Crédito
  • Seguros
  • Impostos
  • Planeamento financeiro

Quanto mais conhecimentos adquirir antes de assumir grandes responsabilidades financeiras, menor será a probabilidade de cometer erros dispendiosos.

Também pode utilizar esta fase para aprender a cozinhar, gerir uma casa, comparar contratos de energia, controlar despesas e planear compras.

Essas competências terão grande importância quando viver sozinho.

E depois de criar uma boa poupança?

Quando já possui um fundo de emergência e uma quantia razoável de dinheiro disponível, pode começar a pensar no próximo passo.

Dependendo dos seus objetivos, poderá querer continuar a aumentar a poupança para comprar uma casa, investir numa formação, criar um negócio ou preparar uma futura entrada para um crédito à habitação.

Para quem pretende investir, é importante estudar primeiro os produtos disponíveis e compreender os riscos envolvidos.

Não deve investir simplesmente porque alguém prometeu retornos elevados.

A regra fundamental é simples: nunca coloque em investimentos de risco dinheiro de que poderá precisar no curto prazo.

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Um exemplo de orçamento para quem vive com os pais

Imagine uma pessoa que recebe 1.400 euros líquidos por mês.

Poderia organizar o orçamento da seguinte forma:

Contribuição para despesas familiares: 200 €

Transportes: 100 €

Telemóvel e subscrições: 50 €

Alimentação fora de casa: 100 €

Lazer: 150 €

Despesas pessoais: 100 €

Poupança: 700 €

Neste exemplo, a pessoa conseguiria poupar metade do rendimento.

Ao fim de um ano, teria colocado de lado 8.400 euros.

Se mantivesse este ritmo durante três anos, teria acumulado 25.200 euros, antes de considerar qualquer rendimento adicional da poupança.

Naturalmente, este é apenas um exemplo. O orçamento real deve ser adaptado à situação de cada pessoa.

O mais importante é começar

Talvez atualmente não consiga poupar 500 euros por mês.

Talvez consiga apenas 100 ou 150 euros.

Isso não significa que não valha a pena começar.

Uma pessoa que poupa 150 euros por mês consegue juntar 1.800 euros num ano.

Em três anos, são 5.400 euros.

Além disso, desenvolver o hábito de poupar é tão importante como o valor inicial.

Com o aumento do salário, pode aumentar progressivamente a quantia poupada.

Pode começar com 10% do rendimento, passar para 20%, depois 30% e, se a situação permitir, chegar aos 40% ou 50%.

Conclusão

Então, quanto poupar enquanto se vive com os pais?

Para quem tem poucas despesas, uma boa referência pode ser tentar poupar entre 30% e 50% do rendimento líquido mensal. Algumas pessoas poderão poupar mais, enquanto outras precisarão de começar com uma percentagem inferior.

O mais importante é não desperdiçar esta fase.

Viver com os pais pode proporcionar uma oportunidade rara para reduzir despesas, criar um fundo de emergência, juntar dinheiro para sair de casa e preparar uma vida financeira mais estável.

Em vez de utilizar todo o dinheiro disponível para aumentar o consumo, aproveite esta fase para construir uma reserva financeira.

Defina um objetivo concreto, automatize a poupança, controle as despesas e tente aumentar progressivamente a percentagem do rendimento que consegue colocar de lado.

Se conseguir poupar 300, 500 ou 700 euros por mês durante alguns anos, a diferença pode ser enorme.

Mais do que perguntar “quanto devo poupar?”, talvez a pergunta mais importante seja: “Que vida quero conseguir pagar graças ao dinheiro que estou a poupar hoje?”

Quando existe um objetivo claro, viver com os pais deixa de ser apenas uma questão de poupar dinheiro. Pode tornar-se uma verdadeira estratégia para conquistar independência financeira, reduzir a dependência do crédito e começar a vida adulta com uma base económica muito mais sólida.

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